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Contadores salvarão o mundo!

PETER BAKKER

Esse artigo é uma síntese do que foi publicado no Harvard Business Review por Peter Bakker em 2013, sobre um ponto pouco discutido ainda hoje que achei interessante trazer a discussão para o português.

Na Rio+20 (United Nations Conference on Sustainable Development), Peter disse que para ter as empresas envolvidas em resolver os problemas mundiais mais difíceis, seria imperativo mudar as regras da contabilidade.

Mas porque a contabilidade? Peter foi CEO da TNT, empresa de transporte, e eles fizeram uma parceria com a WFP (UN World Food Program), naquela época foi a primeira empresa privada que visa lucros a fazer parceria com uma agencia da ONU.

A TNT é uma grande beneficiária da globalização por ser uma companhia de transportes, mas ao mesmo tempo, vive-se em um mundo onde crianças morrem de fome mesmo tendo comida suficiente no mundo. Assim, a TNT trouxe a WFP suas habilidades de logística, fazendo-a trabalhar de forma mais eficiente.

Peter, ainda acrescenta mais, ele diz que obteve um bom retorno no investimento e foram muito beneficiados: os funcionários ficaram mais orgulhosos da empresa e se sentiam ansiosos em participar do programa, os locais de desastres proveram um dos melhores treinamentos de como resolver dilemas complexos, e a reputação da empresa aumentou enormemente.

Mas e o que a contabilidade tem a ver com isso? Bom, ele afirma que nada disso foi capturado nos relatórios financeiros da empresa. Eles construíram um benefício social, mas não tem uma forma de mostrar isso aos acionistas . Os reportes não mostram como as atividades são feitas e assim responsabilizar a empresa, caso necessário.

Não precisa ser uma empresa de energia ou produtora de papel para dar importância a esses recursos, toda empresa usa água, energia e papel, mas poucos são responsabilizados pelo mau uso deles.

E é por isso que o Peter afirma que é preciso garantir que os relatórios das empresas deixe claro COMO elas ganham o seu dinheiro, e não apenas QUANTO dinheiro ela faz.

Para cada medida robusta e comprovada de retorno do capital financeiro, precisa-se de outra para o benefício social (os benefícios econômicos derivados da cooperação entre grupos) e outra para o benefício natural (o suprimento de ecossistemas naturais).

Peter faz questão de afirmar que é capitalista, ou seja, alguém que coloca o capital para trabalhar e espera algo em troca. Mas ele afirma que onde se “perdeu a mão” é que se exige e controla apenas o retorno do capital financeiro.

Para se vencer as crises de forma sistemática, deve-se começar a exigir um retorno do capital social e natural da mesma forma. E é por isso que se precisa mudar as regras do jogo: a contabilidade.

Apesar das empresas terem começado a colocar em seus relatórios a sustentabilidade, muitos ainda abordam o tema como uma jornada sem um destino definido. Além disso, as partes não financeiras dos relatórios não seguem uma regra, deixando impossível a comparação de performance entre os setores e até mesmo dentro dele.

Peter afirma que é presidente de um conselho chamado World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) e que estão dando passos junto com uma série de empresas em direção a isso.

Ele encerra dizendo que se o mundo deseja enfrentar os muitos desafios, e se as empresas querem resgatar a confiança da sociedade, elas devem ser mais transparentes e reconhecer que os recursos explorados ou conservados e os benefícios sociais gerados ou perdidos devem ser considerados no valor da empresa, e assim, na gestão realizada do dia-a-dia.

Não se trata de melhorar esse ou aquele ponto, mas sim de uma mudança radical. E são os contadores que irão liderar esse caminho.

Fonte: Harvard Business Review – Peter Bakker

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